A review abaixo é do game Diablo feita pelo leitor Edmo Freitas:

Diablo

Lançamento: 1997
Desenvolvedora: Blizzard North
Distribuidora: Blizzard Entertainment
Plataforma: PC, Playstation

ATENÇÃO!
Antes de começar a ler recomendo que coloque a trilha sonora da vila do Diablo para tocar, e você entenderá melhor sobre o que eu estou falando.

“Hello my friend! Stay a while and listen…”

Em 1997 nascia uma franquia que está até hoje entre os maiores títulos de RPG (seguido de Diablo II e o aguardado Diablo III pra 2012). Diablo definiu um gênero, que em seguida influenciaría vários e vários outros jogos no futuro. Não que não existissem Action RPGs antes, mas Diablo separou o que era bom do que não era.

Enredo
Diablo traz uma história bem consistente para o jogo, mas que não é fundamental entende-la para bom desenvolvimento do mesmo. O enredo é narrado em uma terra média fantasiosa. Tudo começa quando o filho do rei Leoric é raptado por demônios que o levam para as Catacumbas, próximas ao Inferno, que ironicamente, tem sua entrada pela igreja da cidade. Leoric se reúne com Lazarus, o Arcebispo, e formam um exército para o resgate do filho raptado, mas essa expedição nunca teve uma volta, e então inicia-se a história de nosso herói, em busca do que pode ter ocorrido.

Personagens
Aqui vem uma grande sacada de game design, que por mais simples que seja, garante mais variedade e traz atrativo para rejogabilidade.

O jogador tem o direito de escolha de 3 personagens com características diferentes, sendo eles o Guerreiro, a Arqueira e o Mago. Cada um possui habilidades distintas, garantindo uma experiência diferente a cada personagem. Além disso, o jogador evolui suas habilidades pessoais conforme adquire experiência durante o jogo, encontra livros para aprendizagem de magias, e sempre são recompensados com novos equipamentos, sendo alguns deles raros.

Cenários
Outro grande diferencial de Diablo, que também contribui para a rejogabilidade, é a construção dos cenários. Toda vez que o jogador inicia uma nova campanha, as cavernas que devem ser exploradas são geradas de forma aleatória, contendo conteúdo fixo necessário para o desenvolvimento da história (chefes, livros, equipamentos e etc) e outros que podem ou não aparecer distribuídos pelo cenário, fazendo que cada vez tenha-se uma nova surpresa.

Ambientação
O perfil de Diablo já vem de seu nome, o jogo se passa a todo momento em um ambiente sombrio, gótico, de quase terror, fazendo com que mesmo a vila onde se repara os equipamentos e compra-se poções tenha um ar de um lugar esquecido. A vila é pequena, poucas pessoas a habitam, entre elas uma bruxa, um velho mago, um bêbado, um garoto contrabandista com uma perna de pau que fica sempre escondido, cada um com seu mistério. Pela vila também pode-se encontrar algumas vacas e mais alguns clichês, técnica usada para reforçar a ambientação do jogo, no caso a idade média, a qual é realmente representada como idade das trevas. Descendo as escadarias para as Catacumbas, onde ocorre a ação do jogo, os inimigos variam entre morto-vivos, ícones da mitologia e diversas espécies de demônios, inclusive variações entre essas 3 citadas. Salas são recheadas de vestígios de rituais satânicos e de tortura ilícita. Diversos salões trazem em seu interior corpos mortos pelo chão, corpos espetados em lanças. Livros podem ser encontrados, os quais trazem relatos de acontecimentos e de rituais que estão para acontecer. A iluminação é toda feita com velas, tochas, fogo pelo cenário, ou corpos em chamas (sim, os corpos são bem explorados, hehe).

Jogabilidade
Os comandos do jogo são bem simples, trazendo uma curta curva de aprendizagem. A maioria das ações são executadas pelo mouse, tornando o clique intenso, entre elas o ataque, as habilidades especiais e inclusive a própria movimentação.

Gráficos
A qualidade visual de Diablo era grande na época em que foi lançado, época que foi marcada pela transição dos principais lançamentos do 2D para o 3D. Os traços dos personagens fazem parecer que foram renderizados em 3D, e depois feito sprites 2D apartir dos modelos, pois além dos detalhes, seus movimentos são bem reais e naturais. As texturas não deixam a desejar em nenhum momento e se encaixam bem no formato isométrico do qual o jogo é observado.

Som
A trilha sonora, sempre com aquele ar de mistério e um tom de obscuridade, ficou impecável e adicionou muito ao quesito imersão do jogador ao ambiente proposto. Destaque para a trilha da cidade Tristran (a qual você deve estar ouvindo agora pelo link do início desse post), composta por Matt Uelmen, que na qual usou um violão de 12 cordas e flautas na gravação.

Além da trilha sonora, outro destaque é a dublagem. Todos personagens do jogo tem suas falas dubladas em alta qualidade, em cada uma nota-se tons de tensão, medo, raiva ou sarcasmo em suas vozes.

Multiplayer
Diablo tinha desde sua primeira versão o suporte ao modo multiplayer, onde o jogador tem a opção de entrar em uma campanha com mais 1 ou até mais 3 outros personagens e jogar por tcp/ip, ou pela Battle.net. Esse modo não foi muito explorado por ser limitado, mas trouxe um princípio de RPG online, o qual tem seu mérito.

Pontos positivos
O ponto mais alto desse título é com certeza a ambientação que traz tamanha imersão ao jogador. São responsáveis por ela a ótima trilha sonora, arte de qualidade, iluminação impecável e o tema em geral que foi muito bem explorado. Alto índice de rejogabilidade devido a mais de um personagem e mapas diferentes a cada campanha.

Pontos negativos
O controle do personagem sobrecarrega o controle pelo mouse, fazendo com que o jogador sinta falta de maior liberdade de, por exemplo, poder atacar e se movimentar ao mesmo tempo. Na minha opinião a movimentação poderia ser feita pelas setas direcionais do teclado ou pelas teclas WSAD. Esse problema não ocorria na versão de PSX, a qual soube muito bem contornar a ausência de um mouse, fazendo com que o alvo fosse marcado automaticamente na criatura mais próxima e o direcional do controle fosse dedicado totalmente à movimentação.

Outro detalhe é que em nenhum momento o jogo frisa a motivação que o personagem do jogador tem para ir atrás do mistério que envolveu o filho do rei Leoric, a não ser sua própria curiosidade, sede por aventura, ou falta do que fazer mesmo.

Considerações do leitor:
Pra mim é um RPG que estará sempre no meu TOP 5. Jogo que trouxe e ainda trás inspiração pra muitos desenvolvedores na hora de criar o seu próprio RPG. Sempre volto a jogá-lo pra não esquecer do que é feito um bom RPG. Espero que vocês tenham gostado o suficiente pra bater aquela vontade de jogar de novo!

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