Esta review foi enviada pelo leitor Makson Lima para o 1º Concurso de Reviews do Planeta Gamer.
Persona 2 – Innocent Sin

A hoje famosa série Persona teve sua gênese de uma maneira bastante discreta no ocidente no primeiro Playstation. Produzida e desenvolvida pela subsidiária mais famosa da Atlus, a R&D1, Persona 2 Innocent Sin é uma continuação direta dos eventos do primeiro jogo.
Mas acredito que antes de me aprofundar nesse jogo em específico, cabe aqui explicar um pouquinho das origens dessa série de jogos de RPG bastante prolíferas e de sucesso absurdo no Japão. Shin Megami Tensei (ou, numa tradução literal do japonês Verdadeira Reencarnação da Deusa) teve origem no clássico NES, por volta de 86. Naquela época era a então Namcot (hoje Bandai Namco) que desenvolvia e produzia a série, e até mesmo o nome era diferente: Digital Devil Monogatari (ou algo como História do Demônio Digital). Falo de Shin Megami Tensei (que vou resumir como SMT) porque em 2005 o ocidente foi exposto ao primeiro exemplar dessa tão grandiosa série: SMT Nocturne.
Um senhor jogo de estranhezas e bizarrices, que atraiu um sem número de fãs ocidentais sedentos por uma premissa diferenciada no mundo dos RPGs. Devido ao enorme sucesso de Nocturne (no Japão SMT III), coisa que não era esperada nem pela própria produtora Atlus, todos os demais jogos da série e também spin-offs (jogos paralelos a série principal) da mesma (cito aqui Devil Summoner, Digital Devil Saga e até mesmo o próprio Persona) passaram a receber uma localização a altura e também a ostentar o nome Shin Megami Tensei. Mas só gostaria de deixar claro que só existem 5 verdadeiros SMT na série: SMT I e II para SNES (nunca lançados no ocidente mas com uma tradução feita por fãs absolutamente impecável), SMT If… (também para SNES e que até hoje, infelizmente, só pode ser encontrada em japonês), SMT III ( o hoje tão famoso e aclamado Nocturne) e o recém-lançado no Japão SMT Strange Journey para Nintendo DS (com previsão para lançamento no ocidente para Março).
Bom, tendo esclarecido tudo isso, vou expor aqui minhas conjecturas (sim, pois são só ideias próprias, nada factuais) sobre o porque essa série se manteve enclausurada no Japão por tantos e tantos anos. E na verdade não é nada difícil de entender: temática bastante pesada. SMT lida com demonologia, cultismo e religião de forma aberta e sem nenhum tipo de pudor. Os cenários sempre são atuais ou futurista, num clima verdadeiramente sujo e cyberpunk. Outro ponto forte para manter a série no exílio diz respeito a jogabilidade. De forma clara: os jogos são muito difíceis. Especialmente os mais antigos. Dungeons enormes, labirintos sem fim e o clássico sistema de batalha extremamente evoluído para os padrões da época (começo dos anos 80, início dos anos 90) e até mesmo para hoje em dia, provando que os caras estão sempre inovando.
A fórmula consagrada por Pokémon, onde é dada ao jogador a possibilidade de “fazer uso” do inimigo a seu favor, vem da série SMT desde seus primórdios. Só que aqui você deve trocar algumas ideias com seu inimigo, tentar convencê-lo de que seria um bom negócio passar para o seu lado. E as possibilidades para isso são inúmeras e, em cada um dos jogos da série, apresentadas de maneira diferenciada.
Mas vou tentar agora focar no jogo em questão. Persona 2 – Innocent Sin nunca viu a luz do dia no ocidente também. “Então você manja de japa?” me pergunta você, ó ávido leitor. Não, infelizmente não. Recentemente uma tradução de fãs foi lançada na internet e pode ser facilmente aplicada numa iso ou img do jogo. Sim, funciona perfeitamente e a tradução é impecável. Devo admitir que joguei esse jogo a primeira vez há anos atrás, e só consegui terminar com a ajuda de um script traduzido por um outro bando de fãs muito simpáticos que o disponibilizaram gratuitamente para quem tivesse interesse.
Mas agora o gosto é outro. Pude aproveitar o jogo de forma plena. E vos digo de peito cheio, P2 IS é um jogo sensacional. Único, cheio de peculiaridades que nem mesmo nos outros jogos da série Persona poderíamos encontrar. P2 IS conta a história de Tatsuya, um colegial com um passado obscuro que aos poucos vai sendo revelado. Mas tudo isso envolto num clima obscuro de sociedades secretas, conspirações governamentais e o que mais de bizarro poderia acontecer em um bairro japonês. A jogabilidade é diferenciada pois agora podemos não só usar do charme de cada personagem para tentar seduzir os demônios, como também mesclá-los com os de seus parceiros de batalha.
Se em P1 podíamos usar de 4 habilidades de cada personagem, agora temos um leque que multiplica isso por 3. Tudo isso para tentar ganhar o interesse dos demônios para, ou conseguir selar um contrato com eles, ou então fazer com que ele se interesse por você e lhe ofereça suas cartas referentes ao seu grupo respectivo do tarô. Tarô e astrologia são dois temas muito fortes na série Persona. Um conhecimento extra sobre tais temas sem dúvida o ajudará a entender melhor a trama. Após adquiridas as cartas, é só você se dirigir a Velvet Room mais próxima e fazer as devidas trocas, pois é nesse lugar que você conseguiria outros demônios (ditos Personas) para lutarem ao seu lado.
P2 IS é um jogo completo por si só, mas existe uma extensão de toda história em Persona 2 Eternal Punishment (esse sim lançado em inglês pela Atlus USA, por mais estranho que isso possa parecer – mas eu também tenho uma teoria do porque disso, se querem saber). Pense nesses dois jogos como os dois filmes Kill Bill. Duas grandes metades de um todo. Garanto a qualquer fã de RPG uma aventura de no mínimo 50 horas de duração, com uma quantidade razoável de missões paralelas a trama principal e uma jogabilidade praticamente infinita em possibilidades. Graficamente falando, P2 IS apresenta uma das engines mais compatíveis com a capacidade do PSX: cenários vistos de longe e em 3d (repletos de detalhes que, ainda hoje, podem ser apreciados pelos verdadeiros amantes da arte) e personagem em sprites ricamente animados. A trilha vem assinada não só pelo mestre clássico da série, Shoji Meguro, mas também por mais uma trupe de camaradas de Shoji-sama.
Altamente recomendado à todos os fãs de jogos de RPG como também a todo fã de uma boa narrativa e de um bom jogo de videogame. Perfeito para ser jogado no seu psp, especialmente após terminar o remake do primeiro Persona, que adoraria falar a respeito também, mas fica pruma próxima oportunidade. E ah, o por que de P2 IS não ter sido localizado para o ocidente? Spoilers a frente:simples! Existe no jogo um bando de neo-nazistas que ressucitam Hitler!









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