Esta review foi enviada pelo leitor Diego Piovesan para o 1º Concurso de Reviews do Planeta Gamer.

Nome: The Legend Of Zelda: Twilight Princess
Fabricante: Nintendo
Lançamento: Novembro/2006
Distribuidora: Nintendo
Plataforma: RPG, ação, aventura.
Modo: Single player

A franquia de jogos “Zelda” garantiu destaque e espaço garantido nos corações dos jogadores da Nintendo. Com estilo épico, o game muda mas mantém a essência do jovem Link em busca de salvar a princesa Zelda. Essência conhecida seria igual a jogo clichê e enredo esperado? Não para Miyamoto, que garante à franquia inovações e superações constantes. Com “Twilight Princess” não é diferente. Temos um enredo de mesma essência dos demais, cujo objetivo é salvar Zelda, mas ao mesmo tempo muda-se todo o cenário, enredo e jogabilidade se comparado aos jogos anteriores.

Um novo mundo e uma nova ameaça

De acordo com o calendário esquisito de Miyamoto, “Twilight Princess” se passa cem anos depois de “Ocarina Of Time”, considerado o melhor jogo da série. Desta vez Link mora na Vila de Ordon, onde realiza trabalhos de fazendeiro para seus vizinhos de forma tranqüila. Porém, o que ele não sabia é que sua vida pacata estava com os dias contados. Certa manhã, após Link trabalhar arduamente com sua égua Epona para recolher todas as ovelhas, criaturas malignas começam a invadir Hylure por um portal tridimensional. Como sempre, o belo e forte jovem Link é convocado para ir até o reino e descobrir o que está ocorrendo. Porém, ao envolver-se nesta jornada, o herói é levado para dentro do portal e perde sua forma humana, passando a ser um lobo e acaba preso.

Apesar de estar totalmente encrencado – afinal de contas agora necessita de quatro patas para andar, não tem a sua espada e ainda está preso – Link vê a luz no fim do túnel quando encontra Midna, uma espécie de fada demoníaca que oferece ajuda a ele, mas o avisa que ele a terá de ajudar quando necessário. Misteriosa, ela não revela as suas intenções e passa a guiar Link pelo reino que, nesta altura, está em colapso com a invasão das criaturas malignas. É claro que esta é apenas o início da longa jornada de Link passará por poucas e boas para voltar a sua forma humana, salvar Zelda e todo o reino de Hylure. Como de costume, a Nintendo surpreende o jogador com o enredo, revelando aos poucos as intenções e histórias dos personagens, com reviravoltas de fazer você soltar o wiiremote no chão e ficar meia hora olhando para tela e se perguntando “Quê?”.

“Ocarina of Time”, a sombra

Por tratar-se uma franquia, é esperado que os fãs façam comparações entre os jogos lançados, o que incomodou a Nintendo por um bom tempo.
Quando foi lançado para o Nintendo 64 o jogo “The Legend of Zelda: Ocarina of Time”, os criadores confiavam em seu potencial, mas não tanto para se tornar o marco da série. A simples história de um garotinho que mora em vilarejo e sai aventurando-se pelos reinos de Hylure para, no fim, dar um pulo no tempo, passar pelos mais diversos reinos, salvar a princesa e ainda ter tempo para tocar uma Ocarina não é, nem de longe, algo simples. Com enredo perfeito, uma das melhores jogabilidades já criadas para o N64 e a ação e exploração bastante decorrentes em todo o jogo, “Ocarina of Time” conseguiu chegar ao ápice dos games de Zelda e não saiu de lá. A cada jogo novo da franquia, os fãs esperavam algo que o superasse, mas apesar de grandes produções, como foi o caso de “Majora’s Mask”, a Nintendo não conseguiu levar os fãs ao delírio como havia feito. E então, em 2006, um portal tridimensional apareceu próximo a todos os fãs da Nintendo, era “Twilight Princess” chegando e sugando-os para dentro de um mundo que os levariam a uma experiência única. A comparação caiu e “Ocarina of Time” tornou-se uma sombra de “Twilight Princess”, caminhando sempre juntos e olhando pela janela do ponto mais alto da torre de Hylure para todos os fãs que os saúdam como os melhores jogos já criados para a franquia.

Link, Zelda, Midna e Epona

Todos estão lá. Para a satisfação dos fãs, Link, Zelda e Epona retornam para a franquia – afinal de contas, sem eles, não haveria nem sequer jogo – e juntos com estes personagens já conhecidos pelo público que consagraram o game, aparece também novas personas que agradam e ficam na memória, como é o caso de Midna, o ser maligno e misterioso que, aqui, pega o lugar que Navyi ocupou em “Ocarina of Time”.
Juntos garantem o conforto de o jogador saber com quem está lidando e, ao mesmo tempo, o frio na barriga e emoção de descobrir novos personagens enigmáticos e desconhecidos.

Wiiremote Power

A jogabilidade de “Twilight Princess” é uma experiência à parte. Com o poder e inovação trazido pelo Wiiremote e Nunchuck, a Nintendo garantiu com que os botões fossem bem distribuídos e que o sensor de movimento fosse utilizado de uma forma que não fosse difícil aos jogadores utilizá-lo. Além disto, as novas formas com que movimentos, ataques e esquivas podem ser feitos são de experiência pessoal de cada um, que podem combinar sequências de botões para garantir à ele a melhor forma de jogar. Infelizmente, ainda não há uma versão multiplayer em Zelda. O jogo não foi criado com este intuito, porém se aplicado com a mesma tecnologia utilizada em “Mário Galaxy”, onde o 2º player é apenas um auxílio ao primeiro em forma de uma estrela, seria uma experiência nova e interessante de se pensar, imagine você batalhando com aranhas de três metros de largura enquanto uma bombplant vem, por trás, te atacar, o 2º player poderia ser sua “fada madrinha”, que acompanha Link em todos os jogos, e dar cabeças afastando-o. Seria algo, pelo menos, inovador.

Nem só de rupies vive Zelda

Apesar de elogios descarados feitos aqui para “Twilight Princess”, devemos constar que nem só de rupies, a forma de dinheiro presente em Hylure, vive Zelda.
Por um lado temos os pontos altos da franquia, a jogabilidade inovadora, as cenas que dão inveja a qualquer outro jogo realizado pelo wii, pendendo até mesmo para sequências que aparentam ser cinematográficas – e nós sabemos o quanto isso é difícil no wii, console que aposta mais na interatividade do que em gráficos – e levam os fãs a não apertas o botão “+” para cancelar a exibição, pelo contrário, continuam vendo as poucas sequências de imagens que ocorrerem durante todo o game.

Já por outro lado, uma sujeira varrida para debaixo dos tapetes de Hylure continua atrapalhando o aumento da experiência da franquia de Zelda: os longos tutoriais no início do game. Logo de cara temos que aprender a fazer uma longa lista de comandos. Isso poderia ser justificado se você pensar que este é o primeiro jogo de Zelda para o Wii e que os controles novos ainda eram desconhecidos por grande do público, certo? Errado. Os tutoriais vão bem além de fazer o jogador ficar íntimo dos botões presentes no wiiremote. O ápice do ponto fraco do jogo enquadra-se no início do jogo, quando Link tem de aprender a usar a espada e três crianças mais do que irritantes de seu vilarejo pedem para ele fazer exibições de golpes – e, claro, o ensina a fazer. Esta não é uma parte opcional e se você não conseguir clicar no 1, 2, ir pra frente, pra trás e balançar o wiiremote tão rápido e preciso quanto apertar um simples botão para conseguir fazer link girar com toda sua força para dar um golpe de espada, por exemplo, você não pode sair dali. Leve o tempo que for, você terá que realizar todos os golpes pedido pelas crianças e não poderá fugir – nem mesmo se você atingir elas com a espada. Sério, eu tentei.

A de amor, B de baixinho…

Se estivéssemos em uma prova de filme americano, Zelda, Link e toda a sua turma tirariam nota A. Este é um dos melhores games já realizados para a franquia e para o Wii, usando quase todo o potencial do console no que se diz respeito a jogabilidade, gráficos e interação com o jogador. Isso sem contar o enredo surpreendente e digno de filme, como é de se esperar de um jogo digno de Zelda. Indispensável na coleção de qualquer gamer nintendista.

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