Os videogames tem sido associados com violência desde que eles apareceram no mundo com destaque. O jogo de 1976, Death Race, foi o primeiro a alcançar uma certa notoriedade e começou uma conexão entre violência e games (Sellers 2001, Burnham 2001). Levemente baseado no filme de 1975, Death Race 2000, a premissa do jogo era atropelar zumbis com um carro, mas com gráficos estranhos do jogo fizeram com que os zumbis se assemelhassem demais com a forma humana, e passar com o carro por cima de humanos não era exatamente o que as pessoas queriam jogar na época. Quando comparado com os jogos sangrentos e violentos de hoje em dia, como Grand Theft Auto e Counter Strike, os quais você pode atropelar pessoas inocentes, roubar dinheiro, ser terrorista e traficante fazem com que Death Race pareça hoje inofensivo.
O próximo jogo a alcançar esse tipo de atenção foi o jogo de 1992, Mortal Kombat. Um jogo de luta que se tornou muito famoso pelos seus “fatalities”. Mortal Kombat era extremamente popular e foi extremamente debatido por várias pessoas. Vendendo aproximandamente 6.5 milhões de cartuchos, a violência retratada no jogo chamou a atenção do governo dos Estados Unidos que eventualmente levou até as audiências conjuntas de 1993 que investigaram o marketing de violência através dos videogames com os menores (Kent 2001). A indústria de videogame apenas conseguiu escapar a censura ao prometer criar um sistema de classificação etária para seus títulos.
Os últimos games que ganharam bastante atenção neste quesito de violência foi a série Grand Theft Auto, que foi lançada inicialmente em 1998. Mais uma vez a violência foi amplamente discutida neste game, uma vez que um dos objetivos do jogo é atirar e dirigir sobre policiais e pessoas inocentes, roubar bancos, incentivar a prostituição, tráfico de drogas, assassinato, propinas e outros “serviços” para impressionar o sindicato do crime mais poderoso na cidade fictícia do jogo (Saltzman 1998). Com a chegada de Grand Theft Auto III em 3D, o realismo pode ser percebido claramente, e criou mais controvérsia ainda na indústria de videogame, ao mostrar estes mesmos objetivos, mas dessa vez de uma forma tridimensional, com gráficos que se assemelhavam bastante com a realidade. E apesar dos criadores e muitos críticos levantarem a bandeira de que GTA III era muito cartunesco para ser levado a sério, e que era uma paródia do crime, com diálogos engraçados, vários países como a França, Alemanha e Inglaterra condenaram o jogo, que chegou inclusive a ser banido aqui no Brasil (Saltzman 1998, Barr 2000).
Os efeitos da violência dos videogames vêm sendo discutidos desde Death Race, mas resultados conclusivos foram difícil de encontrar. O livro Violent Children editado por Bryan Grapes (2000) olha para os dois lados do problema com artigos tentando provar que videogames são ou não são a causa do comportamento violento das crianças. Um dos primeiros livros que tratavam desse assunto foi escrito pelo professor Eugene Provenzo Jr. (1991), titulado de: Video Kids: Making Sense of Nintendo. Este livro mostrou uma visão um tanto quanto crítica da indústria de games, e inclusive, em seu testemunho nas audiências de 1993 ele atestou que “videogames são extremamente violentos, sexistas e racistas” (Kent 2001). Do outro lado do argumento, estava um estudo feito pela Interactive Digital Software Association (IDSA 2001) que dizia:
There is no compelling evidence that establishes a link between playing games and aggressive behavior. In fact, the most objective comprehensive reviews of research find no such link. Additional objective indicators also support this conclusion. (IDSA 2001)
Este estudo faz uma outra grande lista de estatísticas interessantes, incluindo que “noventa por cento dos games mais vendidos em 2001 são apropriados para qualquer pessoa maior de seis anos de idade” e que “a violência dos jovens nos Estados Unidos caiu drasticamente ao mesmo tempo que as vendas de videogames aumentaram significamente” (IDSA 2001). No entanto, estes estudos devem ser vistos como estatísticas e dificilmente esse embate vai terminar logo.









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