“Tudo é Signo”. Foi após ouvir esta frase dita pela Prof. Dr. Lúcia Santaella em uma de suas intrigantes e interessantes aulas que comecei a pensar Game como Signo. Com todas as suas interações, opções, dinamismo e possibilidades, o Game se coloca de uma maneira muito interessante na teoria de Charles Sanders Peirce sobre signos. Mas se você está se perguntando que diabos é esse signo que tanto falo e qual relação ele tem com os Games, vou tentar explicar do começo…
Por diversos meios pode-se estudar o Game. Seja da maneira mais prática, programando, modelando, texturizando, animando, desenvolvendo roteiros, testando e claro, jogando. Mas o que está por trás de toda esta prática? O que faz realmente o Game ser Game? A resposta deveria ser simplesmente: a INTERAÇÃO. Mas não é. Obviamente que em termos gamers a interação se dá pelo “jogar” do jogo. As escolhas, os desafios e as ações operadas durante um Game faz com que ele seja uma mídia interativa que providencie o entretenimento ao usuário. Mas e se o Game não foi feito apenas para entreter?
Foi para buscar estas respostas que comecei meus devaneios após a imponente frase “Tudo é Signo”. Para se aprofundar realmente na Teoria dos Games, temos que ter um conhecimento maior do que apenas o design e a construção do mesmo. Temos que saber o que gera tudo isso, e qual o impacto que causaremos no jogador, ou que pretendemos causar. Tudo pode variar, dependendo de quem jogar o jogo.
Pense em um Game de seu interesse. Este Game está pronto para ser jogado por você. Você então, como qualquer gamer que se preze, pega o jogo e o inicia. A partir daí, tudo muda. O papel do jogador, neste caso você, é fazer as ações e escolhas de acordo com o desenrolar da trama. Estas ações são interpretações do que você, jogador e interpretante, deve fazer para prosseguir no Game. Este Game, desta maneira, pode ser considerado um objeto, mediado pelas interações do jogador que interpreta o que fazer. Então, o que seriam estas interações? Exatamente o que você está pensando: SIGNO. Desta forma, podemos dizer então que o Game necessita do jogador e de suas interações para ser Game.
Tudo isso significa apenas uma coisa: para quem quiser seguir estudos sérios da Teoria dos Games, para fazer jogos que realmente façam a diferença no mercado, precisa começar a refletir sobre coisas mais densas. Precisa fazer jornadas em livros como Hamlet no Holodeck, O Herói de Mil Faces, Homo Ludens para depois entrar em viagens mais longas pelas diferentes teorias que existem por aí. Minha dica fica por conta do estudo dos signos: a Semiótica.
Agradeço à Prof. Dr. Lúcia Santaella por aguçar a curiosidade e transformá-la em inspiração.








